Já está na recta final da casa dos 50. É meu primo, filho da minha Tia Gisela (Zela). Chama-se José Manuel Amarante (Jojo). Nasceu no dia 1 de Janeiro de 1952, contam as crónicas, após três dias de trabalho de parto... Como foi praticamente criado pelos meus Avós, era o neto querido destes, se é que podíamos dizer isso. Nos meados dos anos 60 e princípios de 70, tendo como exemplo muitos outros elementos da Família que se dedicaram à música (ver post "Uma Família de Músicos"), muito especialmente o meu primo Nado (Leonardo Amarante), leader dos "Grey Coats", um grupo que teve o seu momento de fama nos anos 60 e que falarei mais tarde, fez parte de uma banda, cujo nome nunca consegui saber, porque eu já não estava em Macau nessa altura e quem me enviou as fotografias, não me facultou esse dado. O curioso nisto tudo, é que o meu primo Jojo aprendeu a tocar viola-baixo com o primo Nado (que era também baixista). Como no início não tinha uma viola própria e era canhoto e o meu primo Nado era dextro, limitou-se a virar a viola deste para a direita, ficando com as cordas mais grossas para baixo e tocava assim. Não sei quanto tempo durou a sua carreira em grupo. Mais tarde, passou a actuar a solo, animando festas e outros eventos. Até há pouco tempo, tinha um cargo de gerência no Hotel Lisboa.
A minha Avó Materna gostava de cantar e, pelos vistos, fazia-o bem. Meu pai biológico era músico profissional. O marido da minha Tia Branca também. Aliás, a filha mais velha de ambos teve uma carreira de solista com algum êxito, cantando nas mais frequentadas salas com as mais populares orquestras da região (ver recorte de jornal).
Nos anos 60, primos meus tiveram os seus conjuntos, com o meu Primo Nado a alcançar alguma notoriedade quando venceu dois festivais de música moderna em Macau em anos consecutivos.
Nos finais dos anos 60 e inícios de 70 ainda integrei, como vocalista, o conjunto Os Fluviais, da Moita do Norte.
As minhas filhas são melómanas, a mais velha até demonstrou alguma aptidão para instrumentista (flauta de bisel).
Curiosamente, na casa dos meus Avós, um imponente piano de cauda, não inspirou ninguém na sua utilização. Quando o conheci, servia para tudo, desde sentarem ou comerem em cima, dormir a sesta (muito disputado pela sua frescura…), até mudar as fraldas às criancinhas. No seu interior, era possível encontrar objectos dos mais díspares, tais como escovas e ganchos de cabelo, moedas, brincos e brinquedos, bocados de pão bolorento…
Mas eram muito famosos os bailes na casa dos Amarante, no imponente salão sustentado por duas colunas. Nessas alturas, havia sempre quem soubesse dar uso a tão nobre instrumento. Dum lado, uma mesa posta a preceito com as bebidas e as comidas, retemperava as forças dos dançarinos, que do outro, deslizavam num chão prateado de pó de ostras ao som das músicas da época. Nota: Na fotografia, atrás dos meus Avós, pode-se ver o "célebre" piano de cauda...
Os media falaram muito na semana que passou nos 20 anos da Queda do Muro de Berlim. Foi como se de repente, o mundo tivesse acordado para as dezenas, senão centenas de Muros que retalham a nossa Aldeia Global. Tão importantes, ou mais ainda, são os Muros Invisíveis que separam as Pessoas e que estão na origem de mais muros reais a separarem, a cercearem a liberdade.
Alguns elegem os livros da sua vida, outros, os filmes. Hoje, quero falar-vos das "Mulheres da Minha Vida".
A primeira, a que conheci ainda antes de a ver: minha Mãe. A que me gerou no ventre e me acompanhou nos primeiros anos de vida. Quarta, numa lista de oito irmãos, foi sempre a Maria-Rapaz da família. Mais depressa pegava num martelo e numa chave de fendas para consertar algo, do que punha os pés na cozinha. Era a preferida do meu Avô ("Avô-Pá"...). Não passou do 4º ano comercial, "... a cabeça não dava..." dizia muitas vezes, mas as razões iam muito para além dessas, como iremos ver mais tarde.
A segunda, Avó-Má, minha Avó, de quem já falei e estará presente em muito do que vier a escrever.
A terceira, a minha Mulher, o meu primeiro e único verdadeiro Amor. Minha Companheira de mais de trinta anos, com quem casei duas vezes... com um intervalo de vinte anos. Primeiro civilmente, depois, pela Igreja Católica.
Finalmente, as nossas duas Filhas, que nasceram por nossa vontade, com uma diferença de seis anos. A mais velha é nossa Colega. Licenciou-se em Geografia e Planeamento Regional e fez uma Pós-Licenciatura na Via de Ensino. Gosta do que faz e tanto quanto me apercebo tem demonstrado ser boa na sua profissão. Um pouco conservadora, gosta da estabilidade. Será o natural repositório das nossas memórias. Relativamente à irmã, assume um pouco o papel de irmã mais velha protectora, tipo mãe-galinha. A mais nova, frequenta o 3º ano de Ciências Farmacêuticas, com a Medicina atravessada na garganta, embora aparente mais conformada. Quem não a conhece, não vê a voluntariosa e aventureira, que, ao contrário da irmã mais velha, alimenta-se de adrenalina, do desconhecido, da novidade. Se pudesse, a vida para ela seria um permanente ilinx ("vertigem", Caillois, 1958).
Professor de Educação Física aposentado.
Seis décadas que conheceram dois séculos e dois milénios.
Hippie aos dezoito, rocker aos vinte, radical aos vinte e cinco, casado aos trinta, pai aos trinta e quatro. Amarelo de nascimento, bloquista verde por opção e um coração que vibra pela Briosa.