Este Blog não adere ao Novo Acordo Ortográfico

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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

KUM HEI FAT CHOY!

Feliz Ano Novo!!!!!!!!!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Passagem de Ano em Macau nos anos 50



A Passagem de Ano, quando estava em Macau dizia-me pouco; era demasiado novo para ir às festas que se realizavam, um pouco por todo o lado.
Em casa, jantávamos cedo, depois, víamos os meus Pais aperaltarem-se para o Reveillon. Nós ficávamos entregues à nossa empregada. Com mais ou menos choraminguice, lá os víamos sair, com a promessa de regressarem cedo… Era uma noite como qualquer outra.
Os meus Pais, nos últimos anos que passámos em Macau, costumavam fazer a Passagem do Ano na Piscina de Macau, onde, pelos vistos, a festa era de arromba, pelas muitas fotografias que tenho. Nelas, aparecem, além dos meus Pais, os meus Tios e alguns Amigos que não identifico. Em tempos mais recuados, o Reveillon era na casa dos meus Avós cujas festas ficaram documentadas em fotografias, mas não consigo distinguir as de Passagem de Ano das outras.
A sequência fotográfica acima, data dos anos 50 e refere-se às festas realizadas na Piscina de Macau, que, pela idade, nunca frequentei nem conheci.

Natal em Macau

Nos meus tempos de menino em Macau, o Natal, tal como hoje, penso eu, era o anglo-saxónico, com a figura do Pai Natal e do pinheiro enfeitado em detrimento do tradicional português. Na casa dos meus Avós havia um velho Presépio de cartão, com as figuras recortadas, mas que fazia as delícias de toda a pequenada. A Árvore de Natal era imponente: um pinheiro que Avô-Pá se encarregava de trazer, não sei de onde, que quase chegava ao tecto. Bolas e enfeitos, novos e antigos misturavam-se entre fitas e faiscantes lâmpadas multi-coloridas. Flocos de algodão davam o branco da neve.
Curiosamente, não me lembro das noites de Consoada na casa dos Avós, excepto a última que passei em Macau, porque acompanhei Avó-Má à Missa do Galo na Igreja de Santo António.
Não era hábito na nossa Família fazer os doces da época. Normalmente Avó-Má comprava-os a umas senhoras idosas que os confeccionavam e os levavam lá a casa. A mesa estava sempre posta para receber quem chegasse, do Natal até aos Reis.
Como quem trazia os presentes era o Pai Natal, estes só eram acedidos no dia 25 de manhã, já na nossa casa, dentro dos sapatos que colocávamos debaixo da nossa Árvore de Natal. Como o nosso Pai normalmente estava de prevenção no quartel, consoávamos na casa dos Avós, com grande júbilo de Avô-Pá que gostava de ver muita gente à sua volta. As pessoas que se reuniam variavam. Tio César e Tia Branca, que viviam em Macau traziam os filhos; Tia Zela, Jojo, Tio Hugo e Tia Gija ainda viviam com os meus Avós; às vezes Tio Vasco também estava. Dava gosto ver o ar de inefável felicidade do Chefe Amarante com  a casa cheia e aquele exército de catraios a percorrer tudo quanto era canto da casa. Era o Natal que nunca teve em pequeno. Não dispensava o bacalhau com batatas e couves mas dispensava o ovo, que considerava um luxo desnecessário. Tal como o bacalhau que tinha de vir de Portugal, abria também um garrafão de vinho tinto (encomendado com meses de antecedência), selado com gesso que tinha de ser partido com um martelo, com grande alegria dos mais novos, que aproveitavam os bocados de gesso para riscar o chão do pátio com o jogo da macaca, os quatro cantinhos e outros grafitos infantis.
No dia 25, com roupinhas novas, fazíamos as visitas para trocas de prendas. De caminho, esbugalhávamos os olhos e esborrachávamos os narizes nas montras das lojas cintilantes e ricamente decoradas.
Macau era aquele empório onde tudo entrava e saía. Apesar de não sermos abastados, tive brinquedos que só muitos anos depois vi à venda em Portugal.
Foto: Iluminações de Natal em Macau 2010, colocada no Facebook pelo meu primo Dino

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

20 de Dezembro. O dia do adeus

Passou mais um ano sobre a devolução de Macau à China.
Saí de lá muito novo. Nunca mais voltei. Em Macau estão os ossos dos meus Avós e alguns Tios e Primos. Ainda tenho familiares vivos nesse território.
Enquanto for vivo e a minha memória se mantiver lúcida, em Macau estarão sempre pedaços de mim. Macau a terra onde nasci.

domingo, 14 de novembro de 2010

Parabéns Mãe!

A minha Mãe faria hoje 84 anos. Ainda conheceu as nossas filhas Diana e Ana Carolina, assim como todos os outros netos que teve (Nuno, João e Ana Margarida). Tenho falado muito dela neste blog, pelo que hoje apenas quero manifestar o quanto gosto dela, as saudades que tenho, a falta que sinto dela, mas também a grande felicidade de ser filho dela e poder dizer que, apesar de já não estar entre nós em pessoa, está dentro de mim, como eu estive dentro dela. E assim será, até que um dia nos voltaremos todos a encontrar. Parabéns Mãe!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Santos e relíquias

Ao ler um dos posts de João Botas (http://macauantigo.blogspot.com/) sobre São Francisco Xavier, lembrei-me que foi Avó-Má que me falou, pela primeira vez deste santo. Foi naquela fase em que ainda tinha a esperança que eu fosse estudar para padre e contava-me muitas histórias de santos e milagres, possivelmente com alguma fantasia de permeio, mas que eu até gostava e tornou-me um razoável contador de histórias, capacidade que viria a manifestar mais tarde na escola e depois, quando fui pai de duas ávidas ouvintes.
Mas, curiosamente, nunca me contou que em Macau se venerava um pedaço do úmero do Santo. Durante a minha viagem de Macau para o Continente, feita no paquete Timor, tivemos, até Singapura, a companhia de um padre, novo, que aproveitando do facto de haver muitas crianças a bordo (na 3ª classe, que era onde viajávamos…) organizava o muito tempo que dispúnhamos para brincadeiras e também para nos ir catequizando, cantando cânticos no convés, contando histórias de santos, rezando o terço… E foi através dele que soube do osso do úmero que ficara em Macau e eu jamais veria, mas do corpo incorrupto do taumaturgo que eu teria a oportunidade de ver em Goa, na escala que o navio fez em Mormugão, na altura, ainda sob administração portuguesa. Era novo, mas muito interessado nestas questões do sobrenatural. Gostei de ver a urna de prata onde repousa o corpo enegrecido envolto em ricas vestes, visível através de um vidro. Outro relicário que me impressionou também, foi o que continha o osso do dedo do pé, arrancado com os dentes por uma fiel que queria ficar com uma relíquia corpórea do Santo…
Posteriormente, foi a minha Mãe que me fez guarda de uma relíquia de São Francisco Xavier, uma relíquia denominada “de contacto”, constituída por um minúsculo pedaço da veste do Santo, quando foi substituído, numa das vezes que o túmulo foi aberto. Tinha-lhe sido dada pelo meu Tio Vasco. Estava dentro de um pequeno envelope com uma gravura e uma oração. Infelizmente, guardei-a tão bem que nunca mais a vi…
Ao pesquisar na net, encontrei uns trabalhos muito interessantes sobre São Francisco Xavier, da autoria de Maria Cristina Osswald e que recomendo vivamente aos interessados.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O vestido cor-de-rosa

Teria eu uns quatro anos. A minha Mãe, caso muito raro nela, segundo dizia, ganhou um prémio numa rifa. Tratava-se nem mais nem menos do que um belo vestido cor-de-rosa para criança, daqueles meios translúcidos (organdi?), cheio de folhos e lacinhos e balões nas mangas, modelo da loja “May may” (penso que é assim que se escreve), a loja de roupa infantil mais famosa de Macau naquela altura. Um sonho de qualquer pequerrucha candidata a princesa em conto de fadas.
Acontecia que lá em casa não havia quem vestisse o dito modelo, com grande pena de minha Mãe, cuja aspiração a uma menina na segunda maternidade, fora frustrada com mais um rapagão, de cabeça coroada com lindos caracóis loiros, mas que, de menina nada mais tinha.
Na iminência de ter de se desfazer de tão valiosa peça de indumentária, sem lhe ter dado uso, o que havia de lhe lembrar?
Como o vestido até era do meu tamanho, não sei que volta me deu, só sei que me convenceu a vestir o vestido, que pelos vistos me assentava que nem uma luva; com uns sapatos brancos unisexo muito em voga na altura e um puxinho, bem puxado (e doloroso), que eu tinha o cabelo muito curto, com um lacinho a condizer, fui, despudoradamente sujeito a uma sessão fotográfica para a posteridade, que é a vergonha da minha infância… E eu até me ri para as fotografias!
Posteriormente, o vestido foi oferecido à minha prima Luzia (filha do meu Tio e Padrinho César), que era um ano mais velha que eu e que lhe deu um bom uso e, devo confessar, ficava bem melhor que a mim.

 A fotografia de grupo mostra, da esquerda para a direita, a minha prima Ivone (filha de Tia Branca) abraçada à Luzia, com o famigerado vestido cor-de rosa; a seguir estou eu abraçado ao meu irmão Mário, com os seus célebres caracóis loiros; a da saia escura é a minha prima Albertina (filha de Tia Branca) com o meu primo Jojo (filho de Tia Gisela) ao colo, logo a seguir está o meu primo "Boy" (filho de Tia Branca), à frente está a prima Ivone (filha de Tio César, irmã de Luzia) e mais à direita está o primo Nado, irmão de Luzia e Ivone. As fotografias do vestido foram tiradas em 1 de Julho de 1953. A de grupo deve ter sido tirada em 16 de Julho de 1954, um ano depois, no dia do meu aniversário.

domingo, 17 de outubro de 2010

Waltzing Mathilda!

A persistência é sempre recompensada. Desde que iniciei este blog, nunca escondi que, para além de deixar escritas as minhas memórias às minhas filhas, pretendia, através da net, chegar à Grande Família dos Amarante, onde ela estivesse, mercê da Diáspora Macaense.
Ultimamente tive a felicidade de receber feed backs de familiares de Austrália e eventualmente das Filipinas. O Facebook deu uma ajuda e fui contactado por familiares que há muito não sabia do paradeiro e outros que nem sabia da sua existência.
Na fotografia que coloco, está a minha tia Gija comigo ao colo; a filha mais nova do Chefe Amarante e, na altura, o Amarante mais novo da Família.

sábado, 16 de outubro de 2010

Parabéns Nuno!

O meu sobrinho e afilhado Nuno Rafael fez ontem 35 anos. Como o tempo passou. Como me recordo daquela noite de 15 de Outubro de 1975, que se seguiu ao escaldante Verão Quente de 75, em que meu Pai, eu, o Jó e o meu irmão Mário, jogámos às cartas, noite fora, enchemos um cinzeiro enorme de beatas e despejamos uma garrafa de whiskey à espera da chegada do "Tupako" (nome por que era conhecido na barriga da mãe, já que não sabíamos ainda, mas queríamos a toda a força, que fosse rapaz, e que fosse terrível como os "Tupamaros"...).
Embora registado como nascido em Tomar, o Nuno nasceu no Hospital do Entroncamento. Acompanhava a minha irmã a minha Mãe e a minha cunhada Mila no seu velho Carocha 1300. Foi  a meio da noite, que uma amiga, nossa vizinha aos gritos,  que quase acordava o bairro, nos deu a notícia da rua, frente à nossa janela: "É um Tupako!É um Tupako!". Era a notícia que queríamos ouvir. No dia seguinte, fomos ver o bebé mais lindo que tínhamos visto até então...
Era o primeiro descendente do velho Simão Amarante a nascer em Portugal Continental. Simbolicamente, era o regresso do Chefe Amarante à terra que o viu nascer e à qual nunca mais voltou.
Com muita felicidade apadrinhei Nuno Rafael. Se fosse meu filho não teria gostado mais dele. Mais tarde, foi meu atleta, quando, durante uns anos fui treinador de Judo na Nabantina e depois, na Gualdim Pais em Tomar. Com muita pena minha não chegou a cinturão negro, mas é cinturão castanho, com algumas classificações de topo em provas que participou. A fotografia é de uma demonstração que fizemos ao ar livre, na Praça frente à Câmara Municipal de Tomar.

domingo, 26 de setembro de 2010

A pirataria nos mares da China

É um título muito pomposo para aquilo que vou contar, mas de momento, não me lembrei de outro.
Actualmente quem chega a Macau e vem por via aérea, tem um aeroporto moderno à disposição ou  se vem de Hong Kong, por via marítima, tem os "overcrafts" com todas as mordomias.
Mas nem sempre foi assim. Lembro-me de Avó-Má falar de hidroviões, mas não sei se seriam para transporte comercial. De qualquer modo, durante a 2ª Guerra, as instalações de apoio foram bombardeadas pelas forças aliadas, num gesto inconsequente e sem razão, que já referi noutra ocasião, pelo que já não me lembro de ver aviões em Macau, a não ser no cinema…
De resto, conta-nos a nossa História que Macau surgiu de um episódio que metia piratas que infestavam a zona e que os Portugueses de antanho teriam desbaratado, tendo o território sido cedido como recompensa por esse feito.
Nos anos 50 as ligações de Macau para o exterior ainda passavam por Hong Kong, onde se ia por via marítima, mais propriamente, por uns "ferry-boats" manhosos, onde os mais abonados tinham direito a um camarote mal amanhado mas o “povo” amontoava-se no porão em beliches a lembrarem as enormes camaratas militares, já que a viagem durava uma noite. Eu nunca fiz essa viagem, mas imagino os cheiros das pessoas, do ruídos das conversas, as pessoas a ressonarem, a fumarem e outras a vomitarem com o enjoo.
Voltando atrás, nos anos 40, essas viagens eram autênticas aventuras que pediam meças com as dos nossos antepassados marinheiros.A minha Mãe contava que, nessa altura, ir a Hong Kong ou a Cantão de barco, podia ser altamente perigoso. Não raras vezes eram assaltados em pleno mar por piratas chineses e malaios, que, aproveitando-se da noite e da natural diminuição de patrulhamento das respectivas autoridades, actuavam impunemente. E nem sempre se ficava pelo roubo apenas.
A minha Mãe nunca teve essa experiência, mas contava que, muitas vezes, principalmente entre Honk Kong e Cantão, o barco em que seguia, tinha de navegar com as luzes apagadas e nos conveses andavam homens armados em ronda constante para qualquer eventualidade. Uma espécie de filme em 3D em tempo real...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O ar condicionado...

Com os dias de calor, lembrei-me de um episódio contado pela minha Mãe, que o protagonizou, juntamente com a minha Tia Branca.
Isto passou-se nos inícios dos anos 40, quando a minha Mãe, ainda adolescente, acompanhou a sua irmã mais velha a Hong Kong.
Numa das suas voltas, a Tia Branca teve necessidade de ir ao banco da então colónia inglesa. Era a época quente e húmida do Verão sub-tropical. Ao entrarem nas instalações do banco, a minha Mãe sofreu o choque da diferença brusca das temperaturas exterior e interior. Nunca tinha estado num local com ar condicionado. Assim como achou muito agradável, também se lhe levantou uma questão; donde viria o frio, já que não havia vento, nem ventoinhas à vista, nem coisa alguma revestida com gelo, como era suposto haver... Como “Maria Rapaz” que era, não mostrou espanto, mas resolveu investigar de onde vinha a baixa temperatura. Dissimuladamente apalpou o balcão onde a minha Tia estava a ser atendida, nada, encostou-se a uma coluna, nada, (e a minha Tia a dar conta de tudo…),até que se lembrou do chão. Disfarçadamente, abaixou-se como que para atar um dos sapatos e aproveitou para tocar no chão… Já meio desesperada, ouve a voz da minha Tia, que contendo o riso a custo lhe dizia: “Carina, não seja parola!”. É claro que o episódio deu para ser contado e recontado, com grande arrelia da minha Mãe… e o “… não seja parola!” foi a frase mais repetida na Família Amarante naquele Verão.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Mistério Desvendado


Avó-Má sempre disse que era bisneta de um “Barão Almeida”. Ainda numa das últimas cartas que me escreveu dizia que teria sido Cônsul Português em Manila ou Singapura.
Como era muito novo na altura, pouco adiantei nessa informação, embora a minha Mãe dissesse o mesmo, sem qualquer hipótese de prova. Até porque, feitas as contas, ia calhar-me um tetravô nobre, já muito afastado portanto, e bem dividido, teria, quanto muito, uma ou duas gotas de sangue azul, ou até nem isso...
Curiosamente, uma informação preciosíssima de um Amigo jornalista, João Botas, a quem nunca é de mais agradecer, um grande estudioso do Macau Antigo, levou-me a consultar uma obra sobre famílias macaenses de Jorge Forjaz, e, a pouco e pouco, começou a fazer-se luz sobre o misterioso “Barão Almeida” e a veracidade do que Avó-Má afirmava. Confrontando com outros dados, alguns retirados da net, foi possível reconstituir a parte da árvore genealógica respeitante a Avó-Má até ao tal tetravô, cujo nome surge como:
Sir José de Almeida de Carvalho e Silva (1784-1850). Era natural de S. Pedro do Sul, foi para o Oriente como médico cirurgião da Marinha Portuguesa, com destino a Singapura, onde iria fundar um Dispensário Médico mas mais tarde viria a tornar-se um próspero comerciante.
Passou em Macau onde conheceu e casou com Rosália Vieira de Sousa e teve 12 filhos deste casamento, entre os quais, Isabel d’Almeida (n.1833) que casou com Francisco Pereira e de quem teve oito filhos. Destes, Delfina Estefânia Rosa Pereira d’Almeida (n.1863) casou em primeiras núpcias com Filomeno Conceição do Rosário Rodrigues (n.1865). Tiveram duas filhas, uma delas, de nome Henriqueta Maria Rodrigues , a Avó-Má, bisneta portanto. Tal como Avó-Má dizia.
Não sei de onde lhe vem o título de Sir. Este senhor, fundou mais tarde um entreposto comercial. Prosperou. Casou várias vezes. Em 1842 veio à Europa, onde foi recebido e agraciado por D. Maria II com os graus de Cavaleiro da Ordem de Cristo e Comendador da Ordem de N.Sª. da Conceição de Vila Viçosa; de Espanha, recebeu o grau de Cavaleiro da Real e Distinta Ordem Espanhola de Carlos III. Regressou ainda a Singapura com o Título de Cônsul Geral de Portugal em Singapura.
Entre outras actividades, dedicou-se à agricultura e horticultura, fez experiências e introduziu novas formas de cultivo e foi pioneiro em plantações de borracha, baunilha, açúcar, café e algodão.
Era um homem mundano; as suas festas eram muito concorridas. Protector das Artes, era um melómano notável. A sua família, não raras vezes tocava com as orquestras que animava as festas. Era também conhecido pelo seu espírito filantrópico.
Faleceu em 1850 e foi enterrado no Cemitério de Fort Canning Hill, com todas as honras.
Em Singapura ainda existe uma rua com o seu nome: “D’Almeida Street” (Foto).

sábado, 28 de agosto de 2010

Bambi

Teria uns seis anitos, quando o meu Pai me levou a ver o filme de animação "Bambi" que corria no Cinema Apollo. Tudo apontava para uma tarde de matiné bem passada. Meu Pai adorava filmes da Disney, eu nunca tinha visto nenhum e estava entusiasmado. Tive tudo aquilo "que tinha direito": um gelado à entrada e amendoins ao intervalo. Até aqui tudo bem. Só que ninguém se lembrou que na parte final do filme, a mãe de Bambi morre. Nunca percebi porque razão as Produções Disney introduziram essa cena. Só sei que quando o Bambi começa a gritar pela mãe, eu começo num choro desalmado, num estado de angústia que ainda hoje me lembro. O filme termina, saímos com o meu Pai muito atrapalhado a segurar-me pela mão, eu a chorar convulsivamente, meio mundo a olhar curioso e o outro meio a pensar que, eventualmente, o meu Pai me tinha batido...
Só voltei a ver o filme quando ele foi editado em Portugal em VHS, nos inícios dos anos 90; já tinha duas filhas, a mais nova teria quatro ou cinco anos. Na caixa da cassete estava escrito expressamente que a cena da morte da mãe de Bambi era censurada (passada à frente) quando a mais nova estivesse a ver...
Já adulto, quando recordei a cena com o meu Pai ainda nos rimos bastante; ele confirmou que estava tão embaraçado que nem sabia o que fazer, comigo agarrado às pernas dele a dizer em Cantonense que queria a minha Mãe e ele sem perceber...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

"Where are you now my Friend?"

Parafraseando um Álbum de Joan Baez, onde páras meu Amigo?
Tinha a minha idade. Fizemos juntos a Escola Infantil e juntos fomos para a Escola Central. Chamava-se Alberto Chau. Foi o primeiro Amigo de escola que tive. Era de ascendência chinesa. Éramos uma parelha inseparável. Era um miúdo calmo e sossegado como eu. Frequentava a minha casa como se de familiar se tratasse. Uns meses antes de eu deixar Macau, morreu-lhe o pai. Apesar da minha pouca idade, senti que se apoiou mais em mim. Quando lhe disse que me vinha embora, choramos os dois juntos. Ainda me lembro das suas palavras: "Primeiro foi meu Pai, agora és tu...". Dele ficaram as recordações e uma fotografia, que era para ser de nós dois juntos, mas não se proporcionou.
Onde quer que estejas, Amigo Alberto Chau, espero que estejas bem. Aquele abraço que nunca demos.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A Ian Palach

Tinha eu 19 anos, quando os tanques do Pacto de Varsóvia (URSS) invadiram Praga no dia 20 de Agosto de 1968. Ano de grandes transformações sociais (lembremo-nos de Maio de 68), a Checoeslováquia vivia a euforia de uma primavera política toda feita de um Socialismo de rosto humano, quando a força das lagartas comunistas esmagaram tudo à sua passagem. É evidente que o  nosso regime de então não deixou de aproveitar o facto, apesar das notícias terem chegado muito filtradas. Dessa época ficou-me o gesto heróico de um estudante, IAN PALACH, de 20 anos, que se imolou pelo fogo, em protesto, numa das artérias principais da cidade em 19 de Janeiro de 1969.
Hoje, quando vejo a nossa juventude, tantas vezes, sem rumo nem objectivos ou ideais aparentes, lamento que Ian Palach e o seu sacrifício não sejam mais conhecidos.
Fotografias da Net: Ian Palach e o monumento na Avenida Wenceslas no local onde caíu.

domingo, 15 de agosto de 2010

Elvis Presley em Macau


No dia 16 de Agosto passam 33 anos que se calou uma das vozes mais famosas do pop-rock mundial.
Teria eu entre 8 e 9 anos, quando o fenómeno Elvis Presley atingiu um dos seus picos. Macau, onde vivia ainda, tal não passou de lado. Os adolescentes deixavam crescer o cabelo, penteando-o com a famosa popa armada com “Brylcreem” (marca de brilhantina). Meio mundo juvenil queria tocar guitarra e cantar meneando as ancas. Pela primeira vez apercebi-me o que era o choque de gerações. Tinha dois amigos, filhos de um casal das relações dos meus Pais, que eram mais velhos que eu, que receberam um ultimato paternal: ou cortavam o cabelo ou ficavam sem guitarra e os discos de Elvis seriam proscritos da casa.
Na Escola Central (a primária que frequentava), como éramos novos demais para esse tipo de guerras, dividíamo-nos em dois grupos: os fans de Elvis Presley e os admiradores de Pat Boone, cantor mais “soft” e com mais aceitação nos meios familiares. Chegávamos a fazer listas nominais para ver quem tinha mais nomes de apoiantes.
Curiosamente, em 1958, quando viemos viver em Portugal, o fenómeno Elvis era quase despercebido. A rádio passava uma ou outra canção, normalmente as mais lamechas, tipo “Love me tender” e pouco mais. As jeans e os blusões que eram as imagens de marca do “Rei” nem se encontravam à venda em Lisboa. Por cá a música era outra…

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Hiroshima, NUNCA MAIS!

Avó-Má falou-me da Bomba quando era pequeno, minha Mãe também. Com o tempo apercebi-me por mim próprio do que foi e continua a ser. Talvez por isso, todos os anos, mesmo repetindo as mesmas palavras, nunca deixe de assinalar o dia 6 de Agosto para que nunca mais se repita.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

José Afonso - 2010



José Afonso faria hoje 81 se estivesse vivo. O vídeo foi dedicado à minha filha mais velha, Diana Carolina, porque a "Canção de Embalar" que lhe serve de banda sonora, foi a primeira canção que ela ouviu e cantei-a milhentas vezes para a adormecer quando era pequena, pelo que já faz parte da história das nossas vidas.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Tia Branca

Nasceu em 1918, no mês de Julho, faria hoje 92 anos. Era a mais velha dos oito filhos dos meus Avós. Era muito bonita, aliás, como todas as quatro filhas dos meus Avós. Sei muito pouco da sua vida pessoal. Casou muito nova com um músico filipino. Um casamento de estadão, com o "jet set" da época, que a vida corria bem para o Chefe Amarante e a sua prole. Ouvi dizer que tinha sido na Sé Catedral, só o véu tinha não sei quantos metros e era todo bordado à mão... Na festa tocaram três orquestras. Dessa relação nasceram: a Conceição ("Nonie", que seguiu uma carreira de cantora ligeira e que já referi anteriormente), a Albertina, a Ivone e o "Boy" que, suponho, se chamava Daniel. Pelo meio ficou um primo que nunca cheguei a conhecer, por ter morrido muito cedo (antes dos 4 anos) e que era conhecido muito carinhosamente como o "Menino" e cujo nome era Rui. Talvez por ter sido o primeiro rapaz a nascer como neto da Família Amarante, o seu falecimento prematuro tocou profundamente a todos, muito especialmente o meu Avô. Eu ainda me lembro de nos Dias de Finados irmos levar-lhe flores ao cemitério.
Eu gostava muito dela, chamava-lhe "Tia Tai Ku Neon", que seria algo como a "Tia mais velha". Por seu lado ela chamava-me "Neny". Dela só tenho boas recordações.
A Tia Branca era uma pessoa muito alegre e optimista, qualidades que herdou directamente de Avó-Má. Nunca conheci o marido dela, até porque estava sempre em digressão com a orquestra e a filha "Noni" fora de Macau. Para além de nadar bem (era velocista em "crol"), facto que já referi em post anterior, tinha uma grande habilidade para a costura, fazendo vestidos e para fazer malha. Era capaz de começar de manhã a tricotar uma camisola e à noite levá-la vestida para sair.
A certa altura da sua vida, pouco antes de virmos viver para Portugal, resolveu ir com os filhos juntar-se ao marido que estava a actuar em Manila. Nunca percebemos muito bem o que aconteceu. Só que quando lá chegaram, o marido e a filha já lá não estavam e a família deste não os recebeu muito bem. Sem dinheiro para regressar a Macau ficaram por Manila. Entretanto, a minha Tia adoeceu e foi hospitalizada com um cancro.
As notícias que recebíamos não eram nada tranquilizadoras. Era preciso ir buscá-la, mas não havia dinheiro para isso. Valeu-nos o grande filantropo e mecenas Dr. Pedro Lobo que emprestou a quantia necessária. Nenhum dos meus Tios e Tias estavam em condições de se incumbirem da tarefa, uns por razões profissionais, outros por serem novos e no caso da minha Mãe, porque estava em adiantado estado de gravidez da minha Irmã. Tivemos de nos socorrermos de um amigo da Família que se prontificou a ir buscar a minha Tia. Mas quando este lá chegou, já encontrou a minha Tia em fase terminal da doença, falecendo pouco tempo depois. Os meus Primos ficaram entregues à família do pai, nunca mais regressaram a Macau nem nunca mais tivemos notícias deles. A minha prima "Noni" vive em Bancoque, na Tailândia, casou, teve filhos. Há uns anos, o meu Tio Vasco foi padrinho de casamento de uma filha dela. As fotografias que coloco mostram como era e, tirando a mais antiga, como a recordo.
Fotografia 2: com a filha mais velha, "Nonie"
Fotografia 3: com a minha Mãe
Fotografia 4: com os filhos Albertina (de blusa escura), Yvone e "Boy"; o da garrafa é o autor destas linhas... 

sábado, 17 de julho de 2010

A Minha Mãe


É a fotografia mais antiga que possuo da minha Mãe. Não tem data. Como nasceu em Novembro de 1926, calculo que tivesse entre os dois anos e meio e os três anos. Já é possível vislumbrar nas suas feições o espírito voluntarioso que a havia de caracterizar ao longo da sua vida.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Hoje faço anos!

Completo hoje 61 anos. Há quem diga que, com essa idade, já ninguém faz anos. Eu não me importo. O que perdi em não poder fazer certas coisas como quando era mais novo, ganhei em calma, lucidez, experiência e tolerância. O tempo passa mais depressa, mas consigo apreciar melhor as mais pequenas coisas. Se o corpo envelheceu, o espírito, conservo-o jovem. Mantenho a capacidade de aprender todos os dias e não sou renitente face às novidades.
Recebi da net muitos votos de congratulações que agradeci individualmente. Não sei quanto posso esperar da esperança de vida. Apenas desejo que a qualidade de vida que hoje usufruo, possa manter-se até à minha hora de partir. Até lá, quero viver a minha vida com alegria e realidade. "Parabéns Reinaldo, muitas felicidades, muitos anos de vida..." e já agora, "... uma salva de palmas.".
Foto: Eu, aos dois meses e meio, no dia do baptismo (4 de Outubro de 1949).

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Parabéns Avó-Má

Nasceu há 116 anos. Teve oito filhos. Muitos netos e bisnetos (que chegou a conhecer). Teve uma vida cheia. De tudo. Do melhor e do pior. Mas até nos deixar, mostrou sempre uma lucidez notável. Foi a única Avó que conheci, aquela que é a inspiradora deste blog. Mesmo nos piores momentos da sua vida, foi capaz de manter acesa a chama da esperança, da alegria de viver, contagiando todos os que com ela contactavam. Para quem nasceu há mais de cem anos, foi dos espíritos mais abertos que tive o privilégio de conhecer. As rosas, que ela tanto gostava (e Avô-Pá enchia-lhe o jardim com rosas brancas e rosadas de estacas vindas de Portugal), representam cada uma, os muitos descendentes da Família Amarante espalhados pelo mundo. Um beijo por cada um deles.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Uma Família de Músicos II

Já está na recta final da casa dos 50. É meu primo, filho da minha Tia Gisela (Zela). Chama-se José Manuel Amarante (Jojo). Nasceu no dia 1 de Janeiro de 1952, contam as crónicas, após três dias de trabalho de parto... Como foi praticamente criado pelos meus Avós, era o neto querido destes, se é que podíamos dizer isso. Nos meados dos anos 60 e princípios de 70, tendo como exemplo muitos outros elementos da Família que se dedicaram à música (ver post "Uma Família de Músicos"), muito especialmente o meu primo Nado (Leonardo Amarante), leader dos "Grey Coats", um grupo que teve o seu momento de fama nos anos 60 e que falarei mais tarde, fez parte de uma banda, cujo nome nunca consegui saber, porque eu já não estava em Macau nessa altura e quem me enviou as fotografias, não me facultou esse dado. O curioso nisto tudo, é que o meu primo Jojo aprendeu a tocar viola-baixo com o primo Nado (que era também baixista). Como no início não tinha uma viola própria e era canhoto e o meu primo Nado era dextro, limitou-se a virar a viola deste para a direita, ficando com as cordas mais grossas para baixo e tocava assim. Não sei quanto tempo durou a sua carreira em grupo. Mais tarde, passou a actuar a solo, animando festas e outros eventos. Até há pouco tempo, tinha um cargo de gerência no Hotel Lisboa.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A propósito de Futebol...


Com dois grandes jogadores de futebol na Família (os meus Tios César e Hugo), devo confessar que, apesar de Professor de Educação Física, Futebol nunca foi o meu forte. Sei o necessário para as aulas e a partir daí reduzo-me à minha auto-reconhecida insignificância.
As razões vêm de longe, quando fui para a 1ª classe. Como todos os catraios, os tempos livres eram dedicados ao “dez de cada lado e termina aos vinte”…
Quis a sorte (ou o azar), que a primeira vez que a bola veio aos meus pés, o chuto deu-lhe efeitos tais que seguiu uma trajectória curva a fazer inveja a qualquer Ronaldo da actualidade e acertou mesmo ao meio do vidro da janela de uma das salas de aula da escola. Tão depressa começou, acabou o jogo nesse dia, ficando eu sozinho frente ao buraco por onde entrou a bola.
Nada me aconteceu do insólito golo. Houve muita compreensão por parte da Directora da Escola, que apenas informou a minha mãe do sucedido.
Mas dentro de mim, começou um processo, não direi de anti-futebol, mas nunca mais joguei voluntariamente o dito Desporto-Rei. Gosto de ver alguns jogos. Vibro quando a Briosa  (4 ever!) ganha. Sou admirador de Garrincha e de Eusébio e já chorei quando a Selecção ganhou.
De resto, nunca entendi o prazer de “dar uns toques na menina” e dos “solteiros e casados”. Talvez por isso me tenha dedicado a outras modalidades, consideradas pobres e gostasse de ter tido  mais oportunidade de praticar algumas actividades radicais.
Caricaturas: Eusébio e Garrincha (da Net)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Rosas Portuguesas

Quando não se entretinha a contar-me histórias de santos, Avó-Má que era muito religiosa, e tinha uma secreta esperança que um dia eu fosse para padre, como um tio que teve mas não cheguei a conhecer, contava-me histórias dos seus tempos de menina de colégio interno, onde foi educada. Embora eu não fosse o neto preferido dela, esse era o primo Jojo, filho da Tia Zela (Gisela) por razões que mais tarde contarei, eu era muito sossegado e dócil, e acima de tudo, um grande ouvinte, sequioso, que absorvia tudo o que era novidade.
Contava-me as peças de teatro que organizavam e numa delas o enredo girava à volta de “Imperatrizes” dos cinco continentes, em que ela representava a “Imperatriz da Europa”.
Embora nunca tivesse saído do Extremo Oriente, falava da Europa com todos os pormenores, das cidades, das pessoas, dos monumentos, fruto das leituras que fez. Quando falava de Portugal, contava que era tudo diferente, as casas, as pessoas, as comidas, as flores, fazia questão de salientar as rosas (talvez relacionando com o Milagre das Rosas, que também me contou…).
Através de Avó-Má viajei por essa Europa, subi à Torre Eiffel, ouvi tocar o Big Ben (e a sua história)…, andei de gôndola em Veneza, impressionei-me com as neves eternas (na altura…) dos Alpes… extasiei-me sob a Capela Sixtina do Vaticano e recebi a bênção urbi et orbi de Pio XII… e senti o cheiro das rosas portuguesas…
Avó-Má era assim; apesar de ter sido educada num internato católico, conservador, tinha um espírito aberto, uma sede de expandir os conhecimentos. Apesar da vida nunca mais lhe ter proporcionado sair de Macau, nem sequer conhecia Hong Kong, mesmo ali ao lado, desejava convictamente que os seus filhos levantassem voo e procurassem novos horizontes.
Hoje, a Família Amarante encontra-se espalhada pela Europa, Ásia e Oceania. Já esteve em África e eventualmente nas Américas. Resultados da Diáspora.
Eu nunca mais regressei a Macau, primeiro por razões económicas, depois, porque o Macau que eu vivi e lembro, já não existe. Dos familiares, restam um Tio e Família e dois primos.
Há uns anos o meu irmão Mário e sua mulher foram a Macau. Apesar de ter nascido lá, saiu muito novo e não se lembrava de nada. Levou, por mim, na sua bagagem, uma rosa portuguesa, para depositar no ossário dos meus Avós no Cemitério de São Miguel.
Avó-Má compreendeu concerteza.

terça-feira, 22 de junho de 2010

"Poéma di Macau"


“Poéma di Macau”

Pa vôs, Macau quirido, pequinino,
Nésga di chám pa Dios abençoado,
Macau cristám, qui fórça di destino
Já botá na caminho alumiado;
Pa vês, iou pensá vêm co devoçám,
Rabiscá unga poema di amôr,
Enfeitado co vôs no coraçám,
Pa têm mercê di bénça di Sinhôr.
Tera qui nôsse Rê chomá lial,
Sômente unga: sã vôs, bunitéza,
Filo di coraçám di Portugal,
Alma puro inchido di beléza.
Iou querê vêm contá co sentimento,
Vôsso estória pa mundo uvi!
— Qui di péna fino? Qui di talento?
Ai, qui saiám Camões nom-têm aqui!


“Poema de Macau”

Para ti, Macau querida, pequenina,
Nesga de terra por Deus abençoada
Macau cristão, que a mão do destino
Colocou no caminho iluminado;
Para ti, pensei vir com devoção,
Compor um poema de amor,
Contigo enfeitado no coração,
 E assim merecer a bênção do Senhor.
Terra que um nosso Rei chamou leal,
Só uma: és tu, graciosa
Filha do coração de Portugal,
Alma cândida, impregnada de beleza;
Quero vir contar com sentimento,
A todo o mundo a tua história!
(…)
 Ah, que pena não estar aqui Camões»

Mais um  poema do grande poeta popular macaense José dos Santos Ferreira ("Adé"), com uma tradução livre incompleta, sem indicação de tradutor.


Foto da net